"Parágrafo" sobre os capítulos 7, 8 e 9 do livro Filosofia da Caixa Preta
Após tratar da relação entre fotógrafo, aparelho e fotografia, Flusser inicia uma reflexão a respeito da forma como os receptores percebem as fotografias. Nesse sentido, ele diz que, anteriormente, as imagens técnicas surgiram com o objetivo de ilustrar os textos científicos, mas que agora as pessoas buscam a informação principal na fotografia e tratam os textos como complementares. Há, então, uma inversão dessa relação texto-imagem. O que é preocupante, visto que tais imagens são representações "magicizadas" da realidade.
Além disso, Flusser trata também da distribuição em massa de fotografias, que são, em geral, sistematizadas pelas funções do aparelho e em como isso interfere diretamente na robotização das ações dos receptores. Sobre isso, sabemos que as atitudes do homem são moldadas por aquilo que ele vê e experiencia, logo, se todos são expostos a um mesmo tipo de conteúdo, é natural que comecem a agir de forma semelhante. Em aula, achei interessante quando uma colega dançarina citou a ocorrência desse fenômeno nas coreografias de dança, que, segundo ela, estão cada vez mais padronizadas.
Para encerrar seu pensamento, Flusser diz que vivemos em um mundo programado pelas intenções do aparelho e que, mesmo quem cria o cria, já perdeu parte do controle que tinha sobre a tecnologia. Nesse sentido, é preciso trabalhar em uma filosofia da fotografia, cujo objetivo principal seja contrariar as intenções do aparelho e questionar o que é proposto pelas imagens técnicas a fim de retornarmos a viver livremente.
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