"Parágrafo" dialógico sobre o texto Animação Cultural

No documentário "O Dilema das Redes", é possível compreender que o comportamento da sociedade atual é moldado pelo conteúdo consumido nas redes socias, o qual tem como objetivo, não só prever, mas induzir nossas escolhas, visto que somos o "produto de venda" de plataformas supostamente gratuitas. Além disso, o algoritmo que seleciona esse conteúdo também é responsável por alienar a população e polarizar suas opiniões, principalmente as do campo político, gerando uma divisão que contradiz o objetivo inicial de conectar as pessoas. 

Já no texto "Animação Cultural" de Flusser, o controle da humanidade por seres inanimados também é retratado, porém por objetos do dia a dia os quais o próprio homem criou e se tornou dependente, como lâmpadas elétricas, aparelhos de TV e demais eletrodomésticos. Em sala, foi discutida essa correlação entre a época em que o texto de Flusser foi escrito (1998) e a data de lançamento do documentário (2020), pondo em destaque que essa inversão de papéis entre homem e objeto não é algo recente, mas que se iniciou com a ideia mitológica do "barro transformado em ser humano" (o que coloca o homem inicialmente como ser inanimado e passível de controle) e continua até os dias atuais, porém de forma cada vez mais complexa, intensa e favorável ao capitalismo. 

No geral, a crítica feita for ambas as obras está na mania do homem de se tornar objeto de suas criações. No entanto, é preciso lembrar que, independente da sofisticação das tecnologias, os seres inanimados que nos controlam ainda não são cem por cento autônomos e agem conforme os interesses de pequenos grupos. Logo, não são as redes socias que devemos combater, como foi sugerido no documentário, e sim a quem elas atendem.

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